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terça-feira, 12 de abril de 2011

Mais Que Um Carpinteiro

O que Torna
Jesus Tão
Peculiar?

Recentemente, eu falava a um grupo de pessoas em Los Angeles, e perguntei-lhes: "Em sua opinião, quem é Jesus Cristo?" A resposta foi que ele era um grande guia reli­gioso. Concordei com isso. Jesus Cristo real­mente foi um grande líder religioso. Mas penso que ele não foi apenas isso.
Através dos séculos, a humanidade tem se dividido a propósito desta questão: "Quem é Jesus?" Por que tanto atrito em torno de um indivíduo? Por que é que este nome, mais que qualquer outro nome de qualquer outro guia religioso, suscita tanto conflito? Por que é que quando se fala a respeito de Deus, ninguém se perturba, mas basta mencionar­mos o nome de Jesus, e as pessoas logo querem encerrar a conversa? Ou então colo­cam-se na defensiva. Certa vez comentei qualquer coisa a respeito de Cristo com um motorista de táxi em Londres, e imediata­mente ele disse: "Não gosto de discutir reli­gião; principalmente se for para falar de Jesus Cristo."
Por que é que, em se tratando de Jesus, a situação difere da de outros líderes religiosos? Por que os nomes de Buda, Maomé ou Confúcio não "agridem" as pessoas? A razão é que estes outros homens não declararam que eram Deus, e Jesus o fez. E é este ponto que o torna tão distinto dos outros guias religiosos.
Não demorou muito para que o povo que conheceu Jesus reconhecesse que ele fazia declarações contundentes a respeito de si mesmo. Logo ficou claro para seus ouvintes que suas proclamações o identificavam não apenas como um novo profeta ou mestre, mas como um homem que era mais que isso. Ele fazia alusões claras a sua divindade. Estava-se apresentando como a única via de ligação que possibilitava um relacionamento do ho­mem com Deus, o único recurso para o perdão dos pecados, e o único caminho para a salvação.
Para muitas pessoas isto é por demais exclusivístico, é uma situação muito drásti­ca, para que acreditem nela. Entretanto, a questão não é o que queremos pensar ou crer, mas, antes, quem Jesus se declarava ser.
O que os documentos do Novo Testamento esclarecem acerca desse assunto? Muitas vezes escutamos a expressão: "A divindade de Cristo". Isto significa que Jesus Cristo é Deus.
O teólogo A. H. Strong, em sua obra Teologia Sistemática, define Deus da seguin­te maneira: "Um espírito infinito e perfeito, em quem todas as coisas têm sua origem, existência e fim."1 Esta definição de Deus é adequada para todos os deístas, incluindo maometanos e judeus. O deísmo ensina que Deus é uma pessoa e que o universo foi planejado e criado por ele. E, atualmente, Deus o governa e sustenta. O deísmo cristão acrescenta uma nota à definição enunciada acima: "...e se manifestou em carne, na pessoa de Jesus de Nazaré."
Na verdade, Jesus Cristo é um nome e um título. O nome Jesus deriva da forma grega do vocábulo Jeshua, ou Josué, e que significa “Jeová é Salvador", ou "o Senhor salva". O título Cristo deriva da forma grega do vocá­bulo Messias (ou do hebraico Mashiah — Dn 9.26), que significa o "Ungido". O emprego deste título, Cristo, fala de dois encargos, rei e sacerdote. Ele apresenta Jesus como o prometido sacerdote e rei das profecias do Velho Testamento. Esta apresentação é pon­to vital para uma compreensão adequada de Jesus e do cristianismo.
O Novo Testamento apresenta Cristo co­mo Deus. Os nomes a ele aplicados no Novo Testamento são tais, que somente poderiam ser aplicados, com justiça, a alguém que fosse Deus. Por exemplo: Jesus é chamado de Deus no verso seguinte: "Aguardando a ben­dita esperança e a manifestação do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus" (Tt 2.13; comparar com Jo 1.1; Hb 1.8; Rm 9.5 e 1 Jo 5.20,21). As Escrituras lhe atribuem ca­racterísticas que só podem ser verdadeiras se aplicadas a Deus. Jesus é apresentado como um ser de subsistência própria (Jo 1.4; 14.6); um ser onipresente (Mt 28.20; 18.20); onisciente (Jo4.16; 6.64; Mt 17.22-27); onipo­tente (Ap 1.8; Lc 4.39-55; 7.14,15; Mt 8.26, 27), e como possuindo vida eterna (1 Jo 5.11, 12, 20; Jo 1.4).
Jesus recebeu honrarias e adoração so­mente devidas a Deus. Em um confronto com Satanás, ele disse: "Está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto." Contudo, Jesus aceitou adoração como Deus (Mt 14.33; 28.9), e algumas vezes demandou ser adorado como Deus (Jo 5.23; comparar com Hb 1.6; Ap 5.8-14).
A maioria dos seguidores de Jesus eram judeus de profundas convicções religiosas, que acreditavam em apenas um Deus verda­deiro. Eram monoteístas até o fundo da alma, e, no entanto, reconheceram-no como o Deus encarnado.
Devido á sua profunda formação rabínica, Paulo ainda teria menos probabilidade de atribuir divindade a Jesus, de adorar um homem de Nazaré e chamá-lo Senhor. Mas foi exatamente o que ele fez. Reconheceu o cordeiro de Deus (Jesus) como sendo Deus ao dizer: "Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com seu próprio sangue."
Respondendo à pergunta de Cristo sobre quem era ele (Cristo), Pedro fez a seguinte declaração: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". E a reação de Jesus a esta confissão de Pedro não foi uma palavra de correção quan­to à justeza de sua afirmação, mas antes um reconhecimento da veracidade dela e a fonte da revelação: "Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus." (Mt 16.17.)
Marta, uma amiga de Jesus, disse-lhe: "Eu tenho crido que tu és o Cristo (Messias) o Filho de Deus que devia vir ao mundo." (Jo 11.27.) E há também Natanael, o qual pensa­va que nada de bom poderia provir de Naza­ré. Ele reconheceu que Jesus era: "O Filho de Deus; o Rei de Israel."
Enquanto Estêvão estava sendo apedreja­do, "invocava e dizia: "Senhor Jesus, recebe o meu espírito." (At 7.59.) O autor da carta aos Hebreus chama Cristo de Deus ao dizer: "Mas, acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre." (Hb 1.8.) João Batista anunciou a vinda de Cristo afirmando: "E o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo."
E também temos, naturalmente, a confis­são de Tome, mais conhecido como o "duvi­doso". Talvez ele fosse um desses estudantes de pós-graduação, pois declarou: "Não acre­ditarei enquanto não puser o dedo na cicatriz dos cravos." Compreendo esta atitude de Tomé. O que ele dizia era: "Ora, não é todo dia que uma pessoa ressuscita de entre os mortos, ou se declara ser Deus encarnado. Preciso de maiores evidências." Oito dias depois, após ele haver exposto suas dúvidas acerca de Jesus perante os outros discípulos, "estando as portas trancadas, veio Jesus, pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convos­co. E logo disse a Tome: Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega também a tua mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo mas crente. Respondeu-lhe Tome: Senhor meu e Deus meu! Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem aventurados os que não viram e creram." (Jo 20.26-29.J Jesus aceitou a afirmação de Tome que se dirigiu a ele como Deus. Ele repreendeu o apóstolo por sua incredulidade, mas não por sua atitude de adoração.
A esta altura, algum crítico pode objetar que todas estas referências são de terceiros opinando sobre Cristo, e não do próprio Cristo falando acerca de si mesmo. O argu­mento geralmente apresentado em salas de aula é que o povo do tempo de Cristo enten­deu-o erradamente, assim como nós fazemos na atualidade. Em outras palavras, Jesus realmente não se declarou ser Deus.
Bem, creio que ele o fez, e creio que a prova da divindade de Cristo pode ser extraí­da diretamente das páginas do Novo Testa­mento. As referências são inúmeras e seu significado é bastante claro.
Um certo homem de negócios examinou as Escrituras para verificar se Cristo se procla­mava ser Deus e disse: "Qualquer pessoa que ler o Novo Testamento e não chegar à conclusão de que Jesus declarou sua divinda­de, deve ser tão cego quanto outro que estivesse na rua, num dia ensolarado, e dissesse não estar enxergando o sol."
No Evangelho de João temos a descrição de um confronto entre Jesus e alguns judeus. O atrito foi originado pela cura de um aleija­do, efetuada por Jesus num sábado, sendo que Jesus dissera ao homem que tomasse o leito e se fosse. "E os judeus perseguiam a Jesus, porque fazia estas cousas no sábado. Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também. Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus." (Jo 5.16-18.)
Alguém pode dizer o seguinte: "Olhe aqui, Josh, até eu posso dizer: "Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também." E daí? Isto não prova nada." Sempre que estamos estu­dando um documento deste, temos que levar em conta a linguagem, a cultura e prin­cipalmente a pessoa ou pessoas a quem foi dirigido. No caso em foco, a cultura é a judaica; e as pessoas a quem foi dirigida a declaração são líderes religiosos dos judeus. Vejamos como eles entenderam as observa­ções de Jesus, há dois mil anos atrás, no contexto de sua própria cultura. "Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus." (Jo 5.18.) Por que uma reação tão drástica?
A razão é que Jesus disse "meu Pai", e não "nosso Pai", e depois acrescentou: "tra­balha até agora". O fato de ele haver pro­nunciado estas duas frases colocava-o em igualdade de condições com Deus, e no mes­mo plano de atividades. Os judeus não se referiam a Deus como "meu Pai". Ou então, se o fizessem, restringiriam mais a declara­ção acrescentando "celeste". Entretanto, Je­sus não fez isso. Quando ele chamou a Deus "meu Pai", fez um pronunciamento que os judeus não poderiam interpretar de outra forma. Além disso, o Senhor deu a entender que. enquanto Deus estava trabalhando, ele, o Filho, trabalhava também. E nessa frase, outra vez os judeus compreenderam a impli­cação de que ele era o Filho de Deus. Como conseqüência desta afirmação, o ódio deles se acirrou. Embora estivessem querendo an­tes de tudo persegui-lo, começaram a pensar em matá-lo.
Jesus não somente reivindicara uma igualdade com Deus, como seu Pai, mas tam­bém declarava que era um com o Pai. Duran­te a Festa da Dedicação, em Jerusalém, ele foi procurado por alguns líderes que lhe in­dagaram acerca de ser ele o Cristo. Jesus encerrou seu comentário dizendo: "Eu e o Pai somos um." (Jo 10.30.) "Novamente pegaram os judeus em pedras para lhe atirar. Disse-lhes Jesus: "Tenho-vos mostrado muitas obras boas da parte do Pai; por qual delas me apedrejais? Responderam-lhe os judeus: Não é por obra boa que te apedrejamos, e, sim, por causa de blasfêmia, pois sendo tu ho­mem, te fazes Deus a ti mesmo." (Jo 10.31-33.)
Alguém pode espantar-se ao ver uma rea­ção tão forte para com o fato de Jesus haver afirmado ser um com o Pai. Uma implicação interessante desta frase vem à tona quando estudamos o texto grego. O estudioso do grego. A. T. Robertson, explica que este "um" no grego, é neutro, e não masculino, e indica uma unidade, não de pessoa ou de propósito, mas, antes, de "essência ou natu­reza". E depois, Robertson acrescenta: "Esta forte declaração é o clímax das proclamações de Cristo acerca da relação existente ntre o Pai e ele (o Filho). Estas proclamações agitaram os fariseus, levando-os a uma cólera incontrolável."2
Fica evidente, portanto, que para aqueles que ouviram esta afirmação de Jesus não havia dúvida de que ele se proclamava ser Deus. Assim, escreve Leon Morris, diretor do Ridley College, de Melbourne: "Os judeus só podiam entender as palavras de Jesus como uma enorme blasfêmia, e decidiram-se a tomar o julgamento dele em suas próprias mãos. Decretava a Lei mosaica que a blasfê­mia fosse punida com o apedrejamento (Lv 24.16). Mas aqueles homens não queriam permitir que os devidos processos da Lei seguissem o seu curso natural. Não prepara­ram uma acusação formal, para que as auto­ridades pudessem tomar a ação necessária. Em seu furor, estavam-se preparando para serem juiz e algoz a um só tempo."3
E Jesus é ameaçado com apedrejamento por crime de "blasfêmia". Está claro que os judeus entenderam suas palavras, mas pode­mos perguntar: "Será que eles pararam para averiguar a veracidade delas?"
Jesus falou várias vezes de si mesmo como sendo um com Deus em essência e natureza. Ele afirmou com ousadia: "Se conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai" (Jo 8.19); "E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou" (Jo 12.45); "Quem me odeia, odeia também a meu Pai" (Jo 15.23); "A fim de que todos honrem o Filho, do modo por que honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou" (Jo 5.23); etc.
Todas estas referências indicam com clareza que Jesus apresentava-se a si mesmo não como um mero homem; antes ele era igual a Deus. E aqueles que pensam que Jesus era somente uma pessoa que gozava de intimida­de com Deus e que estava muito perto dele, meditem nessa declaração: "Se não honrais a mim como honrais ao Pai, desonrais a um e outro."
Certa ocasião, eu proferia uma série de palestras num curso de literatura da Univer­sidade de West Virgínia, e um professor in­terrompeu-me e disse que o único Evangelho que registrava palavras de Jesus, em que ele se declarava ser Deus, era o de João, o último a ser escrito. A seguir, disse que o Evangelho de Marcos, o primeiro a ser escrito, nunca menciona um pronunciamento de Cristo no qual ele declare ser Deus. Era óbvio que aquele homem nunca lera Marcos, ou, se o lera, não prestara muita atenção ao texto.
Para responder a ele, abri o livro de Marcos. Ali Jesus proclamava sua autorida­de para perdoar pecados. "Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus peca­dos estão perdoados." (Mc 2.5; ver também Lc 7.48-50). Pela lei judaica isto era algo que somente Deus poderia fazer; Isaías 43.2ÍL restringe esta prerrogativa apenas a Deus. Os escribas perguntaram: "Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus?" (Mc 2.7.) E então Jesus indagou o que seria mais fácil dizer: "Teus pecados estão per­doados", ou "Levanta-te e anda".
De acordo com o comentarista bíblico da Wycliff, esta é uma "pergunta irrespondível".
As duas frases são ambas fáceis de serem pronunciadas mas para transformar qual­quer uma das duas num ato concreto, requer um poder divino. Naturalmente, um impostor, fugindo a um desmascaramento, acharia a primeira fórmula mais simples. Jesus pro­cedeu à cura da enfermidade para que os homens soubessem que ele possuía autorida­de para cortar também a raiz dela."4 Por is­so, ele foi acusado, pelos líderes religiosos, de blasfemar. Lewis Sperry Chafer escreve que "ninguém na terra tem autoridade nem direi­to de perdoar pecados. Ninguém pode per­doar pecados senão aquele contra quem eles foram cometidos. Quando Cristo perdoou o pecado, como certamente ele o fez, não esta­va exercitando uma prerrogativa humana. E como ninguém, a não ser Deus, pode perdoar pecados, está conclusivamente demonstrado que Cristo é Deus, pois perdoou pecados."5 Este conceito de perdão importunou-me por algum tempo, pois eu não o entendia. Certo dia, numa classe de filosofia, respon­dendo a uma pergunta acerca da divindade de Cristo, citei os versos de Marcos, mencio­nados acima. Um assistente da cátedra con­testou minha conclusão de que o perdão concedido por Cristo demonstrava sua divin­dade. Disse que ele próprio poderia perdoar alguém, e aquilo não significaria que ele se proclamava ser Deus. Enquanto eu meditava no que ele dissera, ocorreu-me a razão por que os líderes religiosos reagiram contra Cristo. É verdade, qualquer um pode dizer: "Eu o perdôo", mas isto só pode ser feito pela pessoa contra quem o erro foi cometido. Em outras palavras, se alguém pecar contra mim, eu posso dizer "Eu o perdôo", mas não era isso que Cristo estava fazendo naquele momento. O paralítico pecara contra Deus, o Pai, e então Jesus, em sua própria autorida­de, disse: "Teus pecados estão perdoados." Realmente; podemos perdoar ofensas cometi­das contra nós, mas de forma alguma nin­guém pode perdoar pecados cometidos con­tra Deus, a não ser o próprio Deus. E foi isso que Jesus fez.
Não admira que os judeus tenham reagido com tamanha intensidade ao ver um carpin­teiro de Nazaré fazer uma declaração tão audaciosa. Esta autoridade de Jesus para perdoar pecados é um admirável exemplo de seu exercício de uma prerrogativa que per­tence unicamente a Deus.
Ainda no Evangelho de Marcos, temos o julgamento de Jesus (14.60-64). as ocorrên­cias daquele julgamento são uma das mais claras referências à proclamação que Jesus fazia de sua divindade. "Levantando-se o sumo sacerdote, no meio, perguntou a Jesus: Nada respondes ao que estes depõem contra ti? Ele, porém, guardou silêncio, e nada res­pondeu. Tornou a interrogá-lo o sumo sacer­dote, e lhe disse: És tu o Cristo, o Filho do Deus bendito? Jesus respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do Todo-poderoso e vindo com as nuvens do céu. Então o sumo sacerdote rasgou as suas vestes e disse: Que mais necessidade temos de testemunhas? Ouvistes a blasfêmia: que vos parece? E todos o julgaram réu de mor­te." (Mc 14.60-64.)
A princípio, Jesus não queria responder, e então o sumo sacerdote colocou-o sob jura­mento. E sob juramento era obrigado a res­ponder (e como fico contente que ele o tenha feito). Jesus respondeu à pergunta: "És tu o Cristo, o Filho do Deus bendito?" com as palavras: "Eu sou."
Uma análise do testemunho de Cristo mos­tra que ele se declarou ser: (1) o Filho do Deus bendito; (2) aquele que se sentaria à mão direita do Todo-poderoso, e (3) o Filho do homem que viria com as nuvens do céu. Cada uma destas afirmações é de conteúdo defini­damente messiânico. O efeito de uma combi­nação das três é de grande significado. O Sinédrio, ou seja, a corte judaica, percebeu os três pontos, e o sumo sacerdote reagiu rasgando suas roupas e dizendo: "Que neces­sidade temos de mais testemunhas?" Por fim, eles próprios ouviram dele aquela declara­ção. E o Senhor foi condenado pelas palavras de sua boca.
Robert Anderson afirma: "Nenhuma evi­dência confirmatória é mais convincente do que a de uma testemunha contrária, e o fato de que o Senhor proclamava sua divindade é incontestavelmente estabelecido pela própria ação de seus inimigos. Devemos lembrar-nos de que os judeus não eram uma tribo de selvagens ignorantes, mas um povo de cultu­ra elevada, profundamente religioso, e foi por causa desta acusação, passada sem um voto de dissenção, que ele foi condenado à morte pelo Sinédrio — o alto concilio nacio­nal dos judeus, composto de seus mais emi­nentes líderes, inclusive homens como Gamaliel e seu notável pupilo, Saulo de Tarso."6
Está claro, portanto, que este é o testemu­nho que Jesus queria dar a respeito de si mesmo. Vemos também que os judeus enten­deram sua resposta como uma declaração de que era Deus. Havia então duas alternativas possíveis: que suas declarações eram blasfe­mas, ou então que ele era Deus. Seus juízes enxergaram claramente a questão — e tal era a clareza, que o crucificaram e depois zombaram dele dizendo: "Confiou em Deus... porque disse: Sou Filho de Deus." (Mt 27.43.)
O comentarista H.B.Swete explica o significado do fato de haver o sumo sacerdote rasgado suas roupas. "A lei proibia ao sumo sacerdote rasgar suas roupas em um conflito particular (Lv 10.6; 21.10), mas quando atu­asse como juiz, as tradições exigiam que ele expressasse deste modo seu horror por qual­quer blasfêmia que fosse pronunciada em sua presença. O alívio do juiz está manifesto. Se não surgissem outras provas fortes, tam­bém não seriam mais necessárias: o próprio Prisioneiro se incriminara."7
Começamos a perceber que aquele não foi um julgamento comum, como bem argumenta o advogado Irwin Linton: "Singular entre os processos criminais é este, em que se acha em jogo não as ações do acusado, mas, sim, sua identidade. A acusação criminal formu­lada contra Cristo, a confissão e o testemu­nho, ou antes, o ato presenciado pelo tribu­nal, com base no qual ele foi condenado, o interrogatório levado a efeito pelo governador romano, e a inscrição e a proclamação feitas na cruz por ocasião da execução, tudo está relacionado apenas com a questão da identidade e dignidade de Cristo. 'Que pensais do Cristo? De quem é ele filho?"8
O Juiz Gaynor, o notável jurista de Nova
York, em seu comentário acerca do julga­mento de Cristo, toma a posição de que blasfêmia foi a única acusação feita contra ele, perante o Sinédrio. Ele diz: "Está claro, pelas narrativas dos Evangelhos, que o su­posto crime pelo qual Jesus foi julgado e condenado foi blasfêmia: ...ele estivera ale­gando possuir poder sobrenatural, o que, em um ser humano, era blasfêmia"9 (citando Jo 10.33). (Gaynor faz referência ao fato de Jesus "fazer-se igual a Deus" e não ao que ele disse acerca do Templo.)
Na maioria dos casos, as pessoas são julgadas por atos que praticam, mas não foi o que aconteceu com Cristo. Jesus foi julgado por causa do que ele era.
O julgamento de Jesus deve ser prova suficiente que demonstrará convincentemen­te que ele confessou sua divindade. Seus juízes dão testemunho disso. Além disso, no dia da sua crucificação seus inimigos reco­nheceram que ele se declarara ser Deus encarnado. "De igual modo os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escar­necendo, diziam: Salvou os outros, a si mes­mo não pode salvar-se. É rei de Israel! desça da cruz, e creremos nele. Confiou em Deus; pois venha livrá-lo agora, se de fato lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus." (Mt 27.41-43.)

Por
JOSH McDOWELL

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